E não dito

janeiro 6, 2008

Verde…

Filed under: escritos do hoje,inauditos — gleisepc @ 5:43 pm
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Verde. E foi-se, sem mais nenhuma explicação, só o riso na cara. Sorriso. Alegre, que nem fosse criança depois da chuva. Muita terra molhada, aquele cheiro vinha com um conforto de Março. Um verde fim de verão com pontilhados de amarelo. Seurat au naturel. A ida retinha o sentido daquilo que ninguém sequer podia ter imaginado. Uma vida a rascunhar em carvão marcas de mãos grossas. Passadas repletas de um peso consciente, botas velhas e marrons. Borras de vermelho e cheiro de café. Em outra época todos percebiam o comum na vida levada, mas agora só aquele sorriso dado muito ao acaso. O que se passa? Tantos os percursos não pensados por quem tem suas cabeças bem cobertas por tetos firmes e mantém seus pés fincados como raízes ao solo, mãe fecunda de impossibilidades. Pátria, és uma amada egoísta a exigir a monogamia de idéias e escolhas. Vir ver-te, terra de muitas histórias, luz de anteriores olhares. Possíveis ilusões. E ir e ir sem um aonde fixar-se. Gastar as solas, sentir os cheiros. Ele, andando e andando, ia sem explanações, nada de teorias. Aporias. Porias tua alma nesta empreitada? Não porias. Tens um bom teto, um firme chão. Gastar as botas já gastas em uma perspectiva novíssima. E ele deu as costas às portas-sorrisos de enredos conhecidos, aos amigos que lhe eram queridos, aos batentes-molduras da vida que não era obra sua. Riu enquanto subia a estrada. Não era Março, tampouco Junho, mas há muito tempo já deveria ter partido. E assim ocorreu. Um tanto de verde, um toque de terra molhada, um riso solto desenhado pelos sonhos e um todo no quase nada a carregar …

dezembro 23, 2007

O vermelho…

Filed under: arte,escritos de amor — gleisepc @ 8:16 pm
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E daí se o vermelho desbotou? Tanto faz que o verde tampouco combine por se complementar. Nada se completaria mesmo nesta composição absurda e, no entanto, ela estava ali presente, em frente ao seu rosto, com direito a lugar de destaque em sua casa, embora ele insistisse em negar-lhe a autoria. A assinatura era dele, sem dúvida, podia reconhecer-lhe os traços, como também identificava a direção dada às tintas; mas algo era de um completo estranhamento no modo como se apresentava emoldurado. Só restava a ele livrar-se daquilo, da medonha obra que via todo o dia. Pois então, mudou-se…

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