E não dito

setembro 28, 2007

Acreditar…

Filed under: inauditos — gleisepc @ 3:40 pm
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Hoje ele não acreditaria nos seus olhos mas, da mesma forma, era impossível duvidar. (Plano da cena: as bordas de uma floresta. O campo e algumas árvores jovens. A luz é fraca mas bem clara). Ela estava bem nervosa, aquele tique de apertar os lábios denunciava. Ele já a conhecia fazia algum tempo.
– Eu não sei o que aconteceu, disse olhando para ele já com os olhos perdidos.
Ele tampouco saberia, mas queria acalmá-la e pensou em algo senso-comum.
– As explicações vão aparecer.
Ela sempre confiou nele e desta vez não era diferente. A floresta começava ali bem perto deles e a vontade dela era entrar na mata e desaparecer, talvez com seu consentimento. Ele intuía a necessidade dela de mudança, a situação era mesmo muito difícil de ser esclarecida em pouco tempo, e falou-lhe da cabana, na verdade uma casa bem pobre, mata a dentro. Era tudo que ela queria ouvir. Olhou para ele com alguma esperança no desconhecido, apertou-lhe os ossos da mão e pegou o caminho de muitos anos antes. Pronto, ele pensou, agora posso tentar entender o que se passou. Ela estará bem lá. A mudança não era nem tão grande assim para ela, o cenário era de uma velha história, mas já era um afastamento, o que era bom. Ele voltaria, deixaria as beiras daquela floresta e resolveria tudo. Ela contava com ele para isso, e ele sabia.
O senso-comum invadiu-lhe. A beira de uma floresta qualquer, em um tempo indeterminado, homem e mulher se encontram, se separam, uma cabana…Não poderia haver nada mais óbvio, mais filme noir de segunda categoria. Porque ele precisava daquilo? De onde brotou esta necessidade pelo comum,  medíocre? Deveria deletar, passar uma borracha nesta coisa já sem cabimento nos dias que correm. Mas sua história o dominou, as bordas da floresta brilhavam com uma luz calma, o vento nas árvores, a figura dela desaparecendo. Ele sabia o que lhe esperava na cidade. Ela contava com ele, só ele daria uma solução para isto. Se viu como o mocinho, chapéu, sobretudo; ela indefesa precisava dele. As explicações vão aparecer, só isto lhe veio a mente. Mas que explicações? Que história? Afinal onde ele está? E, pior, quem é ela? Bordas de uma floresta! Era só o que me faltava…

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