E não dito

outubro 5, 2009

Uma tarde…

Filed under: Sem-categoria — gleisepc @ 5:29 pm

Ela sorria e olhava ele falando, e falando… Já quase não o ouvia, mas consentia e sorria. Sabia que ele falava sem o mesmo ânimo. Os passeios conjuntos se transformaram em rotina automatizada, mas sobre isso ele não falava. Ela tampouco o fazia, e preferia sustentar o sorriso enquanto pensava nos por quês daqueles momentos. O mais doloroso era saber que ele sabia, mas não falava e, no entanto, era ele quem mais tinha assunto nessas horas. Como ele podia sustentar tal situação?, ela pensava; mas deixou soar o sorriso pelo ar.

Ele falava e era tão automático, que nem parecia ser ele mesmo a trazer a variedade de temas para aquela mesa, naquele lugar. Ele tinha medo que ela lhe perguntasse sobre qual o assunto ele estava falando, porque não tinha o menor controle sobre o que dizia. Era quase um zumbi  de si mesmo naquela rotina que inventaram, não lembra quando. E quanto mais ele falava, mais sabia que ela estava ali, mas não o ouvia. Ela sorria, como sempre, mas agora, mantinha-se ausente. Enquanto ele falava, e por que falava, não conseguia parar de pensar nela ali na sua frente, consentindo e sorrindo. Doloroso era saber que ela também sabia, mas, ainda assim, insistia em consentir e sorrir. Como ela podia manter o sorriso em tal situação?, ele se punha a pensar; mas não conseguia parar de falar.

Júlia olhava a xícara de café já sem nenhuma vontade. Ela gostava tanto de café, mas o deixara esfriar. Distraída com o casal da mesa ao lado, e sua  felicidade cúmplice tão despudoradamente visível, pensava em como trazer o gosto pelo café de volta à sua, uma vez mais, solitária rotina…

dezembro 31, 2008

Derradeiro…

Filed under: Sem-categoria — gleisepc @ 4:21 pm

Derradeiro, ele jogou seu corpo sobre a cama, os lençóis ainda cheiravam à lavagem. Só mais algumas horas, algumas horas a mais e tudo continuará. Simplesmente continuará, ele imaginava…

novembro 17, 2008

No universo do trivial…

Filed under: Sem-categoria — gleisepc @ 3:24 pm
Technorati Marcas:

Ele pensava que não seria nada demais. Só o acontecer diário. Rotina, trivial. Uma banalidade em existir que, afinal, fazia parte do cotidiano de uma maioria mesmo. Não havia então por que se preocupar. Bobagem. Tudo corria conforme se esperava. Manso regato onde surge o Pacífico. Que pensamento mais estranho! Manso regato! Certamente era linguagem tirada de algum romance barato com o qual se distraía. Regato, regaço. Romances demais para passar o tempo!, para acreditar que tudo estava lá, era só questão de se levar. Isso dizia um livro também. É só pensar, pensar positivamente e o universo conspirará a seu favor. Rios e terras se abrirão numa cruzada para realizar seus projetos. É só pensar, aguardar e o resto não seria nada demais. Percurso: distância percorrida entre seus pensamentos e o trivial. Então não era nada demais, com certeza. Estava onde deveria estar e as reações à sua volta só poderiam ser mesmo aquelas. Era o esperado. As falas, o comportamento. O afastamento… Também ele fazia parte. Uma inevitabilidade. Acostuma-se. Logo outros surgirão. Faz parte, ele pensava. Aquele acontecer, era mesmo o diário. Só deveria parar de sentir, em alguns momentos, a dúvida. As vontades que surgiam, logo logo, também sumiriam. O universo conspirava e só poderia ser a seu favor, ele pensava…

julho 15, 2008

Ao pó voltarás…

Filed under: espanto,Sem-categoria — gleisepc @ 6:18 pm

Era uma formiga mineral e se questionava em meio a um sonho animal: serei vegetal? Ele ouvira as palavras em uma noite casada por um fluxo de inconsciência, e, de súbito,  tomado por um influxo de puro pânico, frente ao mais absurdo quadro de seu meio social, sentiu que sua voz ia se petrificando, ganhando o peso da necessidade de calar-se. Lembrou-se do homem transformado em inseto e viu-se mineralizar. Cristalizar entre o carvão e o diamante. Pedra. Brutamente solapado pelo obedecer em vez do viver. Seus olhos brilhavam, diamantizavam a situação da simples fala em uma realidade não compartilhada. Não real. Foi perdendo-se em meio à noite para tentar esquecer do travo que atribuiu ao engolido na tentativa de saciar seus intintos de homem. Porque ainda era homem. Homem-mineral, escavado em seu pensar mais verdadeiro devido aos bons modos. Dilapidado no mais valioso. Explorado. Britado. Reduzido a minúsculas pedrinhas imperceptíveis varridas das solas de sapato pelo capacho ao se entrar na casa. Capacho, onde se deixam as sujeiras dos bons lares. E ele que não se transformou em inseto, porque seria banal e previsível, viu-se em novo reino: mineral. Sem fala e sem vontade de falar. Necessariamente mudo. Irmanado à formiga discutida teve suas partes arrancadas e voltou ao pó. Porque ao pó voltarás, ele aprendeu – e não vai mais discutir. Agora ele é mineral…

setembro 27, 2007

Olá mundo!

Filed under: Sem-categoria — gleisepc @ 8:26 pm

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setembro 25, 2007

Filed under: Sem-categoria — gleisepc @ 10:10 pm

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