E não dito

setembro 18, 2010

Sem título…

Filed under: escritos do hoje,inauditos,poesia — gleisepc @ 2:48 pm

Ela sabia pouco – quase nada seria redundância – mas vestiu saia florida, blusa contida e sapato colorido e foi sentar-se no banco da praça para ler poesias…

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outubro 7, 2009

Instantâneo…

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Ela desceu do ônibus feliz, com os presentes a cobrir-lhe o rosto. Ele tentou, mas não conseguiu frear.

setembro 12, 2009

Um pedaço de mundo…

Filed under: escritos do hoje,inauditos — gleisepc @ 3:14 pm
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Em um pedaço de mundo ele dormia o merecido sono depois da comida de hoje, com o cão a vigiar-lhe as sobras. Os bancos de praça do mundo se parecem, todos portos de quem não tem âncora. Quartos e salas de jantar de quem não possui mais a ilusão de um molho de chaves e portas para cerrar…

setembro 1, 2009

Ainda hoje…

Filed under: escritos do hoje,espanto,inauditos — gleisepc @ 4:17 pm
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Ela andava apressada em seus sapatos novos mas o salto prendeu-se em algo, fazendo-a recuar. Neste instante extraordinário seu mundo veio abaixo. Presa pelo salto da novidade de seus sapatos ela encarou, ainda hoje bem cedo, aquilo que já não era novo em seu mundo. Ainda atada, pensou por um instante  e concluiu que os sapatos valiam mais…

julho 8, 2009

Na Calçada…

Filed under: escritos do hoje — gleisepc @ 6:34 pm

Sentou-se na calçada, a cabeça entre as mãos, sorria. Sorria de tudo, e com tal força, que sentiu vontade de ocultar do mundo. O riso era seu, só seu. Riso egoísta de momento. Ficou ali uns bons momentos. Alguns minutos, muitos. Aquela convulsão vivida, uma contração dos músculos, pernas e braços e o começo de uma leve cãibra no maxilar. Tudo seu, seu tempo de risada solta, sem motivo. Só porque sentiu este desejo incontrolável de sorrir. Assim, fácil…ou talvez tenha sido por causa da tarde, da falta de vento, dos sons diários. Tanto faz. Fazia-se necessário sorrir, e ele sorriu…Sorriu egoísta, como criança em jogo de esconder, ocultando o mundo como se este não pudesse vê-lo  ali, naquela calçada de metrópole, a cabeça entre as mãos e o corpo em convulsão…

maio 7, 2009

Da segurança casual…

Filed under: escritos do hoje,inauditos — gleisepc @ 6:59 pm

Ele era muito seguro, assim quase casualmente, como se aquilo fosse mais uma roupa, o caminho para a casa ou ser o filho de seus pais. Ele era muito calmo também, como consequência de toda segurança. Era o caso de ser calmo, pois tudo era decidido com tanta clareza e de modo tão firme  não havendo, portanto, o espaço para angústias e nervosismos histéricos de quem só pensa como se pisasse em pontes suspensas. Um verdadeiro alívio percebê-lo em sua desenvoltura diária, assim pensavam os demais. Decididamente, era um alívio ter a presença, ali manifesta, de tanta segurança. Foi apoiado nesse modo de ser que ele, na última segunda-feira, cumprimentou a todos trazendo uma certa paz ao ambiente, deixou calmamente a pasta em cima de sua mesa, pegou a agenda com a secretária, abriu a janela,  colocando a seguir para fora, no estreito parapeito, primeiro o pé direito depois o esquerdo, e saltou. Mas saltou com tanta segurança, como sempre lhe fora natural, que trouxe um novo significado para as segundas-feiras dali em diante…

julho 4, 2008

Filho pródigo…

Filed under: escritos do hoje,espanto,inauditos — gleisepc @ 8:41 pm
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Ele chegou indeciso. Chegar. O que era necessário para compreender o momento? Incertezas neste permanecer. Agora, como? Uma espécie de desespero pelo incerto. Mas isto não é diário? Aprender a conviver com os pés em falso. Manter-se calmo em meio a balbúrdia. Impossibilidades. Não ouvia mais como antes. Antes é algum momento congelado? Onde? Como resgatá-lo? Ao resgate pagará tributo. Só pagará, não há tributos para o incerto. Finalmente em casa, mas afinal onde encontra o lar? Urge encontrar o lar, encontrar o que procura. Aquilo que não sabe bem, mas que cobra-lhe a sanidade. Por quê? Tudo não está. Mesmo a natureza recebeu a mão modificadora e encontra-se em paz. Para tua surpresa, para teu despreparo. Frente ao que não esperavas. Desmontas. Em silêncio. Aos berros. Cobras do mundo. Há que ter um preço! Deves pagar por ti…

maio 16, 2008

Ópera-bufa

Filed under: escritos do hoje,inauditos — gleisepc @ 5:39 pm
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E saberia acreditar no ontem como se o vermelho, verde abacate, fosse a cor local?…

janeiro 6, 2008

Verde…

Filed under: escritos do hoje,inauditos — gleisepc @ 5:43 pm
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Verde. E foi-se, sem mais nenhuma explicação, só o riso na cara. Sorriso. Alegre, que nem fosse criança depois da chuva. Muita terra molhada, aquele cheiro vinha com um conforto de Março. Um verde fim de verão com pontilhados de amarelo. Seurat au naturel. A ida retinha o sentido daquilo que ninguém sequer podia ter imaginado. Uma vida a rascunhar em carvão marcas de mãos grossas. Passadas repletas de um peso consciente, botas velhas e marrons. Borras de vermelho e cheiro de café. Em outra época todos percebiam o comum na vida levada, mas agora só aquele sorriso dado muito ao acaso. O que se passa? Tantos os percursos não pensados por quem tem suas cabeças bem cobertas por tetos firmes e mantém seus pés fincados como raízes ao solo, mãe fecunda de impossibilidades. Pátria, és uma amada egoísta a exigir a monogamia de idéias e escolhas. Vir ver-te, terra de muitas histórias, luz de anteriores olhares. Possíveis ilusões. E ir e ir sem um aonde fixar-se. Gastar as solas, sentir os cheiros. Ele, andando e andando, ia sem explanações, nada de teorias. Aporias. Porias tua alma nesta empreitada? Não porias. Tens um bom teto, um firme chão. Gastar as botas já gastas em uma perspectiva novíssima. E ele deu as costas às portas-sorrisos de enredos conhecidos, aos amigos que lhe eram queridos, aos batentes-molduras da vida que não era obra sua. Riu enquanto subia a estrada. Não era Março, tampouco Junho, mas há muito tempo já deveria ter partido. E assim ocorreu. Um tanto de verde, um toque de terra molhada, um riso solto desenhado pelos sonhos e um todo no quase nada a carregar …

outubro 2, 2007

Como…

Filed under: escritos do hoje,espanto — gleisepc @ 7:04 pm
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Como? E se…estupendo! Nem poderia acreditar no que estava vendo. Simplesmente inacreditável! Ele, uma pessoa simples, sem grandes ambições e isto! Isto acontecendo com ele parecia até delírio, nem sonho, delírio mesmo. Porque, sabe como é, essas coisas só acontecem com aquelas pessoas, aquelas que se vê muito nas capas de revistas, nos noticiários sobre celebridades e ele, ele não era nem uma coisa nem outra, nem gente que ocupa capa de revista, nem celebridade que aparece a toda hora em noticiário. Ele era simplesmente ele, aquele mesmo que sempre foi. Criatura simples, de hábitos modestos criado no subúrbio poluído, estudo mediano em colégio do governo, sempre, desde muito novo – tem até hoje as fotos guardadas. A casa era a dos pais, mas era velha, bem desgastada, só viu pintura por ocasião de dois Natais, nem lembra bem o que estes tinham de diferente dos outros, mas o fato é que nestes a casa ficou cheirando a tinta e a comida da mãe. Nos subúrbios, lá de onde ele viera, era muito comum pintarem as casas para as festas de fim de ano, parece que tinha algo a ver com ano novo vida nova e… casa pintada, sei lá, ele também não sabia muito bem. Do subúrbio foi caminhando pelos bairros da cidade até ir parar na zona norte, ainda não era bom, mas já era grande feito para quem morou onde ele tinha morado por toda infância e adolescência. Precisa ver quando ele encontrava um dos que brincavam nas ruas poluídas com ele, ficavam na maior inveja, “Zona norte é? Caramba você está é bem de vida!” Bem de vida que nada! Deixa eles, é bom mesmo que nem imaginem que ele ainda é ele, porque agora, afinal, aquilo tinha acontecido com ele e ninguém acreditaria mesmo que… bem, deixa como está. Mas e agora? O que será melhor? O que fazer? O que será que aquelas pessoas, aquelas lembra? As famosas, vips, colunáveis, especiais fazem quando algo estupendo acontece? Ah, elas já devem estar tão acostumadas a estas coisas que nem se espantam mais. Aposto que nem ficam na frente do espelho olhando para o reflexo e pensando, “será? eu estou certo? Sou eu?” Sou eu! É, realmente está acontecendo comigo, digo, com ele, ele que sempre andou de trem porque era mais barato, ele que nunca nem pensou em pegar um táxi, ele que passeia pelas ruas da zona sul sonhando, ” isso aqui que é vida! ” Quem sabe agora?, talvez agora seja sua hora. Quem sabe o próximo movimento seja para a zona sul? Imagina a cara dos outros de lá do subúrbio poluído quando esbarrarem com ele na zona sul, “Zona Sul! Caramba!” Zona Sul! Melhor se acalmar, pode ser um engano, é isso, vai ver ele viu errado, tinha tanta vontade que fosse com ele que viu errado. Não custa nada conferir. Ele pega o papel lê de novo e tem certeza, é mesmo com ele, está lá seu nome e para que não sobre qualquer dúvida seu CPF vem do lado. CPF não tem igual, sem homônimos. Não é que é com ele mesmo que está acontecendo! Estupendo! Mas o que se faz agora? Quantas dúvidas! Pergunta para alguém o que fazer? Mas quem? Eles vão ficar verdes de inveja, os de lá, do subúrbio! Vão duvidar lógico, vão fazer pouco, achar que ele está mentindo, mas eles vão ver. Ele vai aparecer. Na capa das revistas? No noticiário? Na área VIP? Já imaginou, ele, logo ele, ele que nem sabe o que fazer numa hora destas na área VIP! Ele na Zona Sul! Ele nas capas de revistas! Ele naquele jornal de famosos! Ele, ele que…

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