E não dito

agosto 26, 2008

Sem lugar…

Filed under: espanto,inauditos — gleisepc @ 5:44 pm

Sentou-se cabisbaixo, ombros levantados, tenso. Rígido, pensou em causas, mediu conseqüências. Meteu-se mais fundo no assento. Invadiu sua loucura, deixou-se tomar. Sentiu atordoar-se. Nos ouvidos, zumbidos; na cabeça, um giro. O corpo não era mais seu. Ele lá , e não se possuía. Saía dos sentidos, perdia-se. Não dava mais pelo assunto: primeiro as conseqüências, depois as causas e mais tarde se pensa nisso. Com o campo de visão rebaixado admirava o pequeno em sua rotina e acompanhou. Rastejou de seu rebaixamento e seguiu o movimento marrom, cobre, cor de terra. Queria sua parte naquele todo. Pertencer. Colou o rosto, a cara de bicho faminto no buraco e decidiu-se a descer. Precisava cavar. Corpo rígido, ombros tensos, ele cavava, rasgava, amontoava, esmagava e cansou, tão abrupto quanto começou. Tão sofrido quanto o início. Tão sem ser de ali, como de aqui…

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