E não dito

julho 21, 2008

Decidir…

Filed under: espanto,inauditos — gleisepc @ 9:13 pm
Tags: , ,

Se tanto não sonhasse acordada. Se daria conta? Não sabe bem, provavelmente não. Vaga sozinha em seus devaneios como se a vida não fosse a dela. Deixa-se por outra, posterga. Prorroga uma agonia vazada por vazios constantes em meio ao caos decisório. Absurdos. Espera por algum ele. Ele que não vem. Ele que não é o certo. Ele que é perfeito demais. Ele que é o de outra. É sempre o ele, desculpa para o adiar ela. Escusa para se eximir da decisão. “Prefiro não fazer”, toma de outro o bordão porque é demais para si…

Anúncios

julho 15, 2008

Ao pó voltarás…

Filed under: espanto,Sem-categoria — gleisepc @ 6:18 pm

Era uma formiga mineral e se questionava em meio a um sonho animal: serei vegetal? Ele ouvira as palavras em uma noite casada por um fluxo de inconsciência, e, de súbito,  tomado por um influxo de puro pânico, frente ao mais absurdo quadro de seu meio social, sentiu que sua voz ia se petrificando, ganhando o peso da necessidade de calar-se. Lembrou-se do homem transformado em inseto e viu-se mineralizar. Cristalizar entre o carvão e o diamante. Pedra. Brutamente solapado pelo obedecer em vez do viver. Seus olhos brilhavam, diamantizavam a situação da simples fala em uma realidade não compartilhada. Não real. Foi perdendo-se em meio à noite para tentar esquecer do travo que atribuiu ao engolido na tentativa de saciar seus intintos de homem. Porque ainda era homem. Homem-mineral, escavado em seu pensar mais verdadeiro devido aos bons modos. Dilapidado no mais valioso. Explorado. Britado. Reduzido a minúsculas pedrinhas imperceptíveis varridas das solas de sapato pelo capacho ao se entrar na casa. Capacho, onde se deixam as sujeiras dos bons lares. E ele que não se transformou em inseto, porque seria banal e previsível, viu-se em novo reino: mineral. Sem fala e sem vontade de falar. Necessariamente mudo. Irmanado à formiga discutida teve suas partes arrancadas e voltou ao pó. Porque ao pó voltarás, ele aprendeu – e não vai mais discutir. Agora ele é mineral…

julho 4, 2008

Filho pródigo…

Filed under: escritos do hoje,espanto,inauditos — gleisepc @ 8:41 pm
Tags: , ,

Ele chegou indeciso. Chegar. O que era necessário para compreender o momento? Incertezas neste permanecer. Agora, como? Uma espécie de desespero pelo incerto. Mas isto não é diário? Aprender a conviver com os pés em falso. Manter-se calmo em meio a balbúrdia. Impossibilidades. Não ouvia mais como antes. Antes é algum momento congelado? Onde? Como resgatá-lo? Ao resgate pagará tributo. Só pagará, não há tributos para o incerto. Finalmente em casa, mas afinal onde encontra o lar? Urge encontrar o lar, encontrar o que procura. Aquilo que não sabe bem, mas que cobra-lhe a sanidade. Por quê? Tudo não está. Mesmo a natureza recebeu a mão modificadora e encontra-se em paz. Para tua surpresa, para teu despreparo. Frente ao que não esperavas. Desmontas. Em silêncio. Aos berros. Cobras do mundo. Há que ter um preço! Deves pagar por ti…

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.