E não dito

maio 16, 2008

Ópera-bufa

Filed under: escritos do hoje,inauditos — gleisepc @ 5:39 pm
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E saberia acreditar no ontem como se o vermelho, verde abacate, fosse a cor local?…

Fosse a cor local…

Filed under: inauditos — gleisepc @ 5:31 pm

Se esperasse seria assim. Não saberia mais quando tudo isto deixaria de ser um tormento. Novela de enredo barato na qual ele mesmo criara os personagens, os locais. As cores locais. Como técnica recém-descoberta, como o não dominado e mal recebido pelos espectadores. Representação onde ele tentava fixar, com o desespero da ciência do tempo, aquela determinada luz e seus coloridos. Pausa. Uma pausa. Duas pausas. Silêncio total frente ao que não lhe dizia mais respeito. O movimento ou a espera? Aguardar: por uma luz mais viva, um domínio maior sobre sua arte. Que arte? Sobre o que falas? Arte do mover-se como se parado fosse seu estado natural? Arte da espera? Da sapiência das cores locais? Tentavas estrangular as cores locais no bidimensional. Esta a origem do tormento. A necessidade de fixar, prender, agarrar junto aos olhos, à qualquer parte do corpo, aquilo que inapreensível se dá. Tormento novelesco, barato e vazio. Como muitos por aí a fora. Como as vidas caminhantes do lado de fora da sua. Como as vidas dos outros. Esperar pelo outro, que não tem tempo para viver-lhe os enredos de baixo orçamento. Sonho pobre, de conformista, no movimento imperceptível do auto-engano. À ação opunha vista fraca, pouco alcance de horizonte. Uma vontade por planícies muradas. Fraco querer a debater-se com o inexorável da natureza. Inimigo cruel, desigual. Sua fraqueza, mais forte do que nunca, arrancava-lhe a possibilidade de ar ao mover-se. Assim seria então. Não havia o condicional. Esperaria. Aguardaria calmo, imerso na novela criada através do movimento alheio e que não mais lhe dizia respeito. Assim mesmo ele esperaria pelo futuro pretérito de seu destino e se atirava ao trabalho de escrever dia a dia a história sabendo-lhe o final. Uma pausa. Duas. O som martelado por dois dedos pintando em desespero o pano seco a sugar-lhe as sombras das cores locais…

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