Ele pensava que não seria nada demais. Só o acontecer diário. Rotina, trivial. Uma banalidade em existir que, afinal, fazia parte do cotidiano de uma maioria mesmo. Não havia então por que se preocupar. Bobagem. Tudo corria conforme se esperava. Manso regato onde surge o Pacífico. Que pensamento mais estranho! Manso regato! Certamente era linguagem tirada de algum romance barato com o qual se distraía. Regato, regaço. Romances demais para passar o tempo!, para acreditar que tudo estava lá, era só questão de se levar. Isso dizia um livro também. É só pensar, pensar positivamente e o universo conspirará a seu favor. Rios e terras se abrirão numa cruzada para realizar seus projetos. É só pensar, aguardar e o resto não seria nada demais. Percurso: distância percorrida entre seus pensamentos e o trivial. Então não era nada demais, com certeza. Estava onde deveria estar e as reações à sua volta só poderiam ser mesmo aquelas. Era o esperado. As falas, o comportamento. O afastamento… Também ele fazia parte. Uma inevitabilidade. Acostuma-se. Logo outros surgirão. Faz parte, ele pensava. Aquele acontecer, era mesmo o diário. Só deveria parar de sentir, em alguns momentos, a dúvida. As vontades que surgiam, logo logo, também sumiriam. O universo conspirava e só poderia ser a seu favor, ele pensava…
Novembro 17, 2008
2 Comentários »
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Gleise, muito interessante sua forma de escrever, como ‘flashes’ do pensamento do personagem, sem a preocupação com o estilo câmera, que se concentra mais na cena e cenário, mas priorizando o ítimo, aquilo que, no cotidiano, é inatingível aos demais. Tudo isso confere um moderno lirismo à sua escrita.
Gostei muito. Um abraço!
Comment por Andre L. Soares — Dezembro 17, 2008 @ 10:22 am
Oi Andre,
Obrigada pelo comentário… espero que voltes. beijos!
Comment por gleisepc — Dezembro 29, 2008 @ 10:56 am