E não dito

Julho 15, 2008

Ao pó voltarás…

Arquivado em: Sem-categoria, espanto — gleisepc @ 6:18 pm

Era uma formiga mineral e se questionava em meio a um sonho animal: serei vegetal? Ele ouvira as palavras em uma noite casada por um fluxo de inconsciência, e, de súbito,  tomado por um influxo de puro pânico, frente ao mais absurdo quadro de seu meio social, sentiu que sua voz ia se petrificando, ganhando o peso da necessidade de calar-se. Lembrou-se do homem transformado em inseto e viu-se mineralizar. Cristalizar entre o carvão e o diamante. Pedra. Brutamente solapado pelo obedecer em vez do viver. Seus olhos brilhavam, diamantizavam a situação da simples fala em uma realidade não compartilhada. Não real. Foi perdendo-se em meio à noite para tentar esquecer do travo que atribuiu ao engolido na tentativa de saciar seus intintos de homem. Porque ainda era homem. Homem-mineral, escavado em seu pensar mais verdadeiro devido aos bons modos. Dilapidado no mais valioso. Explorado. Britado. Reduzido a minúsculas pedrinhas imperceptíveis varridas das solas de sapato pelo capacho ao se entrar na casa. Capacho, onde se deixam as sujeiras dos bons lares. E ele que não se transformou em inseto, porque seria banal e previsível, viu-se em novo reino: mineral. Sem fala e sem vontade de falar. Necessariamente mudo. Irmanado à formiga discutida teve suas partes arrancadas e voltou ao pó. Porque ao pó voltarás, ele aprendeu – e não vai mais discutir. Agora ele é mineral…

Sem comentários ainda »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS dos comentários deste post URI do TrackBack

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.