E não dito

Setembro 27, 2007

Saberia…

Arquivado em: escritos do hoje — gleisepc @ 9:14 pm
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Saberia o que aconteceu desde então? Era difícil descrever: a boca seca, coração acelerado, um tremor pelo corpo impossibilitando qualquer defesa. Transformara-se em bicho acuado. Enjaulado em seu próprio mundo. Mundinho de presa fácil, rabo entre as pernas e bico calado. Nenhum sussurro se quer manter-se ainda aqui. Baixar os olhos e continuar seguindo um caminho de possibilidades limitadas por seu temor. A mão não pára de tremer. O nível de descontrole é tamanho que não consegue lembrar o que se deu.
A rua escura, um rosto desconhecido a pedir-lhe informações, sua boa vontade em explicar o rumo e, de repente, a realidade se alterou. Abaixado, na nuca o aço encostado perto demais das lembranças de toda vida, olhos pregados em lugar nenhum. A certeza de não olhar cara a cara quem lhe tirava a dignidade. Vítima. Do seu descontrole, do seu mundo, das desigualdades. Mais um nas estatísticas. Número, seu pavor o transformara em bicho marcado, fizera com que na lembrança carregasse sempre o registro de sua ocorrência, número 350.001. Codificado em algarismos romanos o medo da arena.

A rua foi passando por ele com seus sons abafados, a respiração difícil, o desamparo. Faltou-lhe o tino. Faltaram-lhe as lembranças de quem conhecia, do seu lugar. Esboroou-se toda a lógica do caminho cotidiano e ele simplesmente não saberia dizer como tudo foi acontecendo tão rápido e o tempo lhe pareceu tão lento…

E…

Arquivado em: inauditos — gleisepc @ 8:28 pm
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Inexorável força invadia o ambiente da tarde em revolta.Inexorável? Que palavra absurda, pura vontade de parecer instruído. De onde vinha esta necessidade de parecer algo além, assemelhar-se a um mundo diferente do seu. Uma força qualquer invadiu a tarde. Um simples aperto no peito, uma dificuldade para respirar, dessas que qualquer pessoa já sentiu em algum momento da vida. E, de repente, o inexorável surgiu, assim, do nada. Inexorável…ficou ressoando no pensamente, inexorável, inexorável. Não adiantava lutar contra, a palavra que queria atirá-lo para um além de si estava ali, e era inexorável, inelutável se preferirem, ela simplesmente não lhe sumia da mente, como um traço da sua vontade de não pertencer. Deixar para trás toda aquela história, a sua, e ser outro. Novos caminhos, distintos fazeres. Mas o inexorável surgia novamente na forma da força contra o peito no meio daquela tarde. Ele olhava para os rostos a sua volta tentando ver se eles imaginavam o que se passava em sua mente, estaria estampado na testa, INEXORÁVEL? Será que aqueles olhares fugidios riam do decalque absurdo que ele pregara no rosto?

Olá mundo!

Arquivado em: Sem-categoria — gleisepc @ 8:26 pm

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